Professor: Estresse e perda de energia.

por Karenn Liège


Quem nunca deu aula, ou quem deu aula sem amor, não pode ter ideia de quão profunda é a relação que se estabelece entre quem ensina e quem apreende o conhecimento.

Em minha experiência, quando lecionei Física no ensino médio, percebi o quanto esta tarefa pode desgastar o professor. Muitas vezes cheguei em casa cansada, praticamente exausta. Sentia nestes dias como se parte de minha energia vital tivesse sido sugada. Eu percebia que durante o andamento das aulas começava a me sentir quase zonza e que minha voz não alcançava mais os alunos. Meio por intuição, e também pelo conhecimento que eu já adquirira sobre malhas energéticas, desenvolvi um método de ensinar com o máximo de empolgação, o que fazia com os alunos acabassem também envolvidos no processo de sua própria aprendizagem.
Mais tarde, quando eu fazia o curso de bacharelado em Física na UFRGS, tive uma professora que mudou a forma como eu via a arte de ensinar. Sua elegância em desenvolver todo o raciocínio das equações e a forma como colocava em nós a responsabilidade da aprendizagem sem peso contribui tanto para minha vida profissional quanto para o entendimento de como a transferência/perda de energia ocorre. Suas aulas eram uma espécie de show que nos prendia e fazia com que tivéssemos muita vontade de aprender. Às vezes eu tinha a impressão que ela não percebia que estávamos ali, que não pesávamos para ela, tal era seu envolvimento com o conteúdo que estava sendo ensinado. Ao corrigir nossos trabalhos, ela pontuava todas as etapas com perguntas sobre o processo que havíamos utilizado para que não houvessem dúvidas de que entendemos realmente o que estávamos calculando, e então devolvíamos a correção novamente. Foi a melhor compreensão que tive durante o tempo que passei no curso.
Com o tempo e a experiência e com meu avanço nos aprendizados das malhas energéticas acabei percebendo que o que faz com que esta profissão seja uma das mais desgastante é exatamente o apego do professor com os alunos, o medo que não aprendam, a preocupação com sua vida pessoal. A atenção que o professor coloca em seus pupilos transfere uma bela carga de sua energia pessoal. A frase “meus alunos” não se restringe apenas a palavras mas ao apego emocional que criamos por eles. Quando colocamos mais atenção nos alunos, na sua trajetória e nos seus problemas pessoais ao invés de no processo de ensinar, abrimos um canal de conexão nos níveis físico, etérico, emocional e quase sempre também no mental. Esta transferência ocorre para qualquer ser/coisa no qual colocamos nossa atenção e é a base de funcionamento da lei da atração. O problema é que somos um professor para 20 ou 50 alunos e assim a quantidade de energia que perdemos no processo é muito maior do que quando colocamos a atenção em um único ser ou objetivo.
A questão é que precisamos permitir que as pessoas enfrentem seus próprios desafios para crescer e não entrar em um processo simbiótico onde acabamos sofrendo junto, seja dos alunos, filhos, pais ou amigos. Cada pessoa que aqui está escolheu seu próprio processo de crescimento nesta terra e embora possamos e devamos transbordar amor, devemos manter em vista que o amor liberta e não nos traz sofrimento já que nos preenche completamente. Precisamos parar de tentar proteger emocionalmente toda pessoa que passa pela nossa vida, desapegar.
Se o professor concentrar sua atenção e energia na aula que está ministrando, no conteúdo que ama, e na sua própria força, ele obriga aos alunos a colocarem sua atenção na aula, pois será onde há maior concentração de energia, e desta forma o fluxo vai dos alunos para o professor, que sentirá maior satisfação no processo.
Infelizmente, ou felizmente, não existe uma receita de bolo para isto, cada um de nós deve se auto conhecer, curar seus traumas e desenvolver seu próprio método de apaixonar-se de tal forma pelo que faz, que para os outros não haverá outra solução que não seja assistir fascinados o nosso show.

EU SOU
Cada vez mais
Karenn Liège

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