Reprogramando a Procrastinação 

 

Dizem que apenas uma coisa não procrastinamos na vida, a própria procrastinação! Não sei quem falou isto pela primeira vez, mas uma coisa é certa, o Ser humano tem uma tendência enorme em procrastinar, e deixar para depois o que devia ser feito no agora.  

Quantas vezes você fez lista de metas para o ano que se inicia, e quantas vezes terminou o ano sem conseguir atingir as metas propostas? Ou mesmo aquelas tarefas mais básicas do dia a dia, como enviar um email, pagar uma conta, ligar para alguém ou algum serviço? Quantas vezes deixamos uma lâmpada queimada por dias, ou um vazamento na torneira, ou mesmo um simples parafuso da mesa que está solto. Isto sem falar da mal afamada dieta que inicia na segunda feira. Se recebemos 10 dias para fazer um relatório, certamente ele será feito nos últimos dois!  

Mas afinal porque a gente procrastina? Não seria muito mais fácil já deixar tudo pronto com um prazo bem adiantado para não corrermos o risco de algum imprevisto acontecer?  Vou falar sobre três gatilhos da procrastinação para que você possa reconhecer e quiçá reprogramar-se.  

O primeiro gatilho está numa parte muito profunda do nosso ser, em nossas pulsões. Existem dentro de nós dois grandes princípios: PRAZER e SOBREVIVÊNCIA. A nossa tendência é ficar no prazer o tempo todo, do qual só sentiremos necessidade de sair quando a necessidade de sobreviver superar a de prazer. O prazer é usado para aliviar a angústia da morte que possuímos desde nosso nascimento. Assim é muito mais fácil ficarmos na cama mais 5min, no celular só mais meia hora ou assistindo a série do Netflix do que iniciar o relatório que já deveria estar pronto! Nosso cérebro é praticamente um viciado na química que despertamos ao fazermos aquilo que nos dá prazer, são as ÍNAS: serotonina, dopamina, adrenalina e tantas outras.  

Uma das forças capaz de quebrar o ciclo da procrastinação é o hábito. Mas pense bem, quase todos os hábitos que temos foram desenvolvidos por insistência de um pai ou de um educador. E isto significa que teve insistência, repetição, “chatice”, e muitas vezes castigo e ameaça! É só lembrar por exemplo da forma como você aprendeu que precisava escovar os dentes todos os dias, quando sua mãe ou seu pai (ou ambos) lhe cobrava em todas as refeições para que você escovasse os dentes. Com certeza não uma, nem duas vezes, que você tentou ir dormir sem escovar os dentes e eles lhe fizeram levantar da cama e escovar os dentes. Se isto nunca aconteceu e seus pais permitiram que você não escovasse seus dentes, muito provavelmente eles também contribuíram para que você procrastine com mais frequência do que as pessoas que tiveram pais mais rígidos. O problema é que agora, adultos, não temos mais quem nos chama à atenção para realizar nossas tarefas e, portanto, acabamos escolhendo permanecer mais tempo no princípio do prazer. 

Atualmente procrastinar se tornou, mais que um hábito, um estilo de vida! A educação atual prevê a prevenção de traumas mas de uma forma que, em geral, não traz os deveres como uma necessidade básica para os nossos jovens. Por causa disto o esforço pessoal para “vencer” na vida não é mais valorizado, e a liberdade e o conforto são supervalorizados. Tudo isto vem da nossa realidade tecnológica e globalizada, pois antigamente quem não plantasse não comia, literalmente! Perdemos a resiliência, a paciência e a força de cumprir tarefas. Mas uma mudança de paradigmas como essa sempre tem os dois lados, o bom e o ruim – (que não vou debater aqui neste texto, deixarei para o futuro, procrastinarei um pouco). 

Para conseguir optar primeiro pelo dever devemos decidir o que realmente queremos na vida a logo prazo, queremos o prazer agora, rápido, ou queremos algo de real valor? Quando temos um impulso irrefreado para comprar, ou comer, ou dormir, ou enfim, buscar o prazer é mais fácil do que cumprir o dever, então nossa tendência de procrastinar será grande!  

Vale nessa hora buscar uma ordem de importância e urgência para priorizar o que é mais urgente a ser feito primeiro! Para realizar o que você PRECISA, prometa a si mesmo(a) aquilo que você muito quer, e então, depois das tarefas cumpridas presenteie-se! Dê a você um prazer a mais, algo que você realmente gosta! Mas lembre-se, apenas depois do dever cumprido. Assuma o papel do adulto nessa relação consigo mesmo(a). 

O segundo gatilho é o excesso de distrações que temos ao longo do dia! Com o advento da tecnologia nosso cérebro encontra muitos lugares onde depositar o foco, só que por pouco tempo. Assim para atingirmos nossas metas também é necessário conseguir ficar algum tempo com o foco voltado para aquela tarefa, pois quem não tem foco vai sempre levar mais tempo para realizar a mesma tarefa do que alguém que consegue se manter focado. A falta de foco também faz com que a tarefa pareça menos importante do que ela realmente é.  

Neste caso podemos começar a treinar o foco forçando nosso cérebro a ficar focado por pequenos períodos de tempo. Este método elaborado é uma questão de criação de hábito! Você precisa fazer isto durante pelo menos 21 dias para adquirir como hábito. Divida o seu dia em pequenos momentos de 20 a 40 min apenas e force-se a ficar focado no que você precisa fazer, dê um tempinho para relaxar e inicie mais uma jornada de 20 a 40 min. Com o tempo você vai conseguir aumentar este tempo, mas é importante que você mantenha este tempo inicial por vários dias. 

O terceiro gatilho é ligado à crença de que necessitamos do amor e da atenção do outro para sobreviver. Na maioria das vezes crianças que tiveram muita concorrência pelo amor do pai ou da mãe se tornam competitivos e perfeccionistas pois acreditam que precisam ser melhores do que os outros para poderem merecer ser amados. Assim o nível de exigência se torna gigantesco e mais tarde surge o medo de não conseguir a perfeição naquilo que precisamos realizar. Este medo faz com que protelemos a tarefa pois acreditamos que não vamos conseguir, e isto trará a rejeição como resposta. Em caso mais graves pode surgir até crises de ansiedade e pânico.  

Mas para resolver estes casos primeiro precisamos identificar onde estamos! Qual o nosso gatilho de procrastinação! É possível encontrar o gatilho sozinhos? Sim, é possível, mas não é provável! Este é o caso em que na grande maioria das vezes vamos necessitar do olhar do outro para expor o que está em nosso consciente. E se este olhar for um olhar especializado, melhor ainda, não é mesmo? E depois de encontrar os gatilhos é necessário desprogramar e reprogramar o que precisamos. 

Existem outros gatilhos para a procrastinação, mas a maioria são subprodutos destes que citei acima!  

A vida é muito curta para permitir que sua criança ferida permaneça na dor impedindo você de ser feliz e próspero(a). Reprograme-se! 

Eu Sou  

Karenn Liègeh 

Porto Terapia Uma nova Concepção de Vida

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